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A memória do Concílio Vaticano II

O olhar do teólogo

A memória do Concílio Vaticano II

J. B. Libanio

Jornal de Opinião – Janeiro de 2011

 

                   A década de 60 saudou o Concílio Vaticano II com inúmeros títulos. Um pensador francês chamou-o: Fim da Cristandade. Tal afirmação significava o corte que o Concílio trouxe em relação à cultura. Até então a Igreja se tinha enclausurado no templo medieval onde ela ditava toda a cultura, desde a arquitetura gótica passando pela música gregoriana até a política clerical. Gregório VII encarnara tal ideal com o famoso dictatus papae (1075) em que afirmava o absoluto domínio político da Igreja sobre o poder temporal. A teologia se autodenominava “rainha das ciências” e traçava os limites de pesquisa e de verdade para as outras ciências.

                   Mais de quatro séculos já vinham minando o edifício eclesiástico, embora muitos de seus moradores não se dessem conta. O Concílio Vaticano II resolveu resolutamente enfrentar tal defasagem cultural e buscar reconciliar-se com o mundo moderno nos diversos campos, desde a vida litúrgica passando pela renovação dogmática até as relações com a sociedade. Ingente labor!  Corajoso empreendimento!

                   Naqueles idos, o jornal comunista italiano L´Unità interpelou os seus correligionários desafiando-os a fazer autocrítica semelhante à que empreendera a Igreja católica. Mostrava admiração pela sua coragem. E os comunistas não a realizaram. Pagaram caro com o desmoronamento de seu sistema no final da década de 80, enquanto a Igreja, como instituição, prossegue a caminhada.

                   Olhando para o percurso desses quase 50 anos, temos muito que agradecer a Deus pela coragem e dinamismo de tantos e tantos cristãos, desde os simples fiéis até aqueles que assumem responsabilidades de governo.

                   Numerosas maravilhas vivemos no campo da liturgia. Quem conheceu o formalismo, o alheamento dos fieis nas celebrações, a figura isolada do sacerdote, de costas, falando um latim ininteligível e participa hoje de liturgia vibrante de vida, exclama: que milagre!

                   O próprio vocabulário reflete a mudança. Antes se assistia à missa. Hoje se participa da celebração eucarística. O verbo e o substantivo apontam para a diferença. Quem assiste comporta-se passivamente. Quem participa, atua. Quem diz missa, pensa num rito pronto. Quem fala de celebração eucarística, entende-se envolvido num momento de vida.

                   Se estendemos o olhar mais longe, vislumbramos o relançamento do movimento ecumênico, percebemos iniciativas no campo do diálogo com as outras tradições religiosas. Não faltou ao Concílio a coragem de enfrentar o problema do ateísmo. Encontrou pontos de encontro com os ateus nas práticas de justiça, de libertação. K. Rahner, um dos maiores teólogos do Concílio, não hesitou em discernir, em muitos ateus, comportamentos verdadeiramente dignos de um cristão a ponto de chamá-los de “cristão anônimo”.

                   Que dizer do encontro da teologia com as ciências modernas, reconhecendo-lhes justa autonomia e debatendo com elas questões difíceis e espinhosas? Não menor revolução aconteceu no campo da política, enfrentando a convivência com os regimes democráticos da modernidade. Que a sua memória nos anime a continuar-lhe a façanha grandiosa de aggiornamento, como dizia João XXIII.


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