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Sétimo volume

OLHAR O OUTRO

 

            É com muita alegria que apresento ao leitor o sétimo volume do projeto UM OUTRO OLHAR, que reúne várias homilias do teólogo renomado, do escritor brilhante, do jesuíta fiel, do professor exímio, do padre pastor, do irmão de todos, Pe. João Batista Libanio. Esse projeto começou em 2004, quando Marta, Patrícia e Maria Alice, e depois Regina, tiveram a brilhante ideia de ouvir as homilias do pregador, gravá-las, transcrevê-las e partilhá-las com todos. As homilias são encantadoras, mas encanta,  também, esta atitude de levar a tantas outras pessoas a força-leveza das palavras pronunciadas pelo Pe. Libanio em suas homilias.

            Quando cursei a graduação e o mestrado em Teologia, final dos anos 80 e início dos anos 90, tive o privilégio e a honra de ter vários jesuítas como meus professores[1], a quem devo muito dos meus estudos e pesquisas, do meu horizonte teológico-pastoral e do meu magistério, tanto no ensino superior quanto nos meios populares. Posteriormente, tornei-me colega de ensino de alguns deles. Dentre eles está o Pe. João Batista Libanio. Cada aula era uma aventura e um encontro, por isso mesmo era uma graça, pois a inteligência da fé, com a habilidade magistral do Pe. Libanio, conduzia à profissão de fé e sua vivência.

            Com isso, não é difícil para o Pe. Libanio fazer homilias - a parte mais difícil da missa para muitos ministros da Igreja. Como homem de fé, que pensa a fé e em sua vida procura testemunhá-la, as palavras "pensadas no coração" e "sentidas na cabeça" deste padre fluem, na medida certa, até chegarem ao ser de cada um. O conhecimento bíblico, as informações múltiplas, a captação da realidade global e particular, misturam-se, harmonicamente, em cada homilia. Se observamos apenas os títulos dados às homilias, facilmente notamos a abrangência da vida, o sentido eclesial, os sinais do Reino, as pessoas, o mundo, o outro, DEUS.

            "Um outro olhar" é o olhar do autor destas homilias concisas, profundas, graciosas, comprometidas, que ousam sair do lugar comum e das falas confusas, moralistas, alienadas, desconjuntadas da vida e da fé mesma. Sua perspectiva nunca é ele mesmo, mas o outro que aí está, o ser humano, o mais pobre, o desesperançado, o colocado à margem da vida e o grande Outro, Deus.

            As orientações da Igreja para nossa liturgia dizem que a homilia é indispensável para nutrir a vida cristã e que, para isto, deve explicar algum aspecto das leituras da Sagrada Escritura, levando em conta tanto o mistério celebrado, como as necessidades do povo de Deus reunido em assembléia litúrgica[2]. Exato. É isto que está aqui, neste livro: um alimento que nutre a vida cristã, cujos ingredientes são a Palavra de Deus e a própria vida. Para lê-las, prezado leitor, procure ambientar-se no silêncio, na serenidade do Espírito. Estes textos não são de passa-tempo, são saborosas reflexões, nascidas no especialíssimo ambiente das celebrações eucarísticas da comunidade eclesial.

            Recebi um exemplar do primeiro volume desta coleção, em sua 5ª edição, do próprio autor, no dia 17 de dezembro de 2006, com uma dedicatória assim: "As palavras deixam ser interpretadas pela generosidade do leitor. Com estima". Como você, Pe. Libanio, é generoso conosco, interpretando a Palavra e a Vida, com tanta maestria e fé, para nos alimentar!

            Com estima.

 

Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte
Reitor da PUC Minas



[1] Agradeço, com amizade e preces aos jesuítas que foram meus professores, padres Johan Konings, França Miranda, Carlos Palácio, Francisco Taborda, Ulpiano Vazquez, Jadelmir Vitório, Álvaro Barreiro, Ruiz de Gopegui, Luis Stadelmann, Félix Pastor, Juan L. Segundo, Alberto Casalegno e tantos amigos de outras Congregações e Dioceses que colaboraram e ainda muito contribuem com minha formação acadêmica e com minha missão cidadã, cristã, presbiteral e episcopal.

[2] Cf. IGMR 41.

 

SEM GALILÉIA, NÃO HÁ JERUSALÉM (Mc 16, 1-7)

 

                Esta é a grande noite, a maior da liturgia cristã, quando comemoramos a ressurreição do Senhor. O evangelho escolhido é o de Marcos, e nele três coisas me chamam a atenção. A primeira coisa fundamental é que o túmulo não é lugar para encontrarmos Jesus. Não o encontraremos no túmulo. As mulheres foram e não o encontraram. Qual o símbolo desse túmulo como não-lugar de Jesus? O túmulo é símbolo da morte, da decomposição, da partida definitiva, sem vida, e o Senhor não está lá. Guardemos bem esta lição: não procuremos o Senhor na morte, na decomposição, no vazio, pois Ele não estará lá. Ele está vivo e ressuscitado!

                A segunda lição é para as mulheres. A primeira anunciadora da ressurreição de Jesus foi Maria Madalena. Não foi nenhum apóstolo, nem Pedro, nem João, nem qualquer outro apóstolo dos mais queridos de Jesus. A primeira pessoa que testemunhará que Jesus está vivo e comunicará a Pedro é uma mulher, para mostrar que no início da nossa fé está Maria para a encarnação e outra Maria para o anúncio da ressurreição. Duas mulheres no início da nossa fé! Isso para que as mulheres tomem consciência de sua importância na transmissão da fé nas nossas comunidades. Se na Igreja Católica os ministros ordenados são somente homens, isso não quer dizer que a fé passa por eles. A fé passará muito mais e muito mais profundamente através de tantas e tantas mães e tantas e tantas mulheres.

Talvez a coisa mais importante do evangelho de hoje é um pormenorzinho que passa despercebido, porque Marcos é diferente de Lucas. Precisamos entender porque Lucas coloca todas as aparições de Jesus em Jerusalém e não fora. Para Lucas, o Cristo glorioso é percebido, vivido, experimentado em Jerusalém, ao contrário de Marcos. Ele diz que os apóstolos deveriam voltar para a Galiléia, pois lá Jesus irá se manifestar. Por que Lucas coloca em Jerusalém, e Marcos coloca todas as aparições na Galiléia? Claro que só pode ser simbólico, porque para Lucas tudo termina em Jerusalém, e é lá que tudo também começa. Jerusalém é a meta da única viagem que Jesus fez em sua vida. Todo o evangelho de Lucas é uma grande viagem de Jesus para Jerusalém. Ele vai dando suas lições, transmitindo suas doutrinas, caminhando para Jerusalém. Ele caminha para o centro da fé judaica e nessa caminhada anuncia o seu evangelho. Lá se realizará a sua missão principal, lá Ele morre e ressuscita, lá se manifesta, de lá sai a Igreja para o mundo inteiro.

                Marcos inverte a história, lembrando-nos que não podemos nos prender ao Cristo glorioso. É preciso voltar a aprender com o Jesus histórico, aquele que viveu na Galiléia. Lá Ele passou a infância, a adolescência. Lá, naquele lago maravilhoso, Ele frequentemente navegou, pregou, curou, fez praticamente tudo em sua vida terrena. O Jesus que queremos seguir, humilde, terrestre, é da Galiléia. Antes de vermos o Cristo glorioso, precisamos compreender e imitar aquele da Galiléia. Temos que voltar frequentemente ao Jesus da Galiléia para entender o Jesus glorioso. Se nos perdermos na glória, na euforia da ressurreição, correremos o risco de esquecer que, para chegar lá, Ele trabalhou toda uma vida. Ele provou, sofreu, encarnou-se, participou de nossa vida, viveu em nosso meio, alegrou-se, chorou, tudo isso na Galiléia.

                Páscoa é o momento em que o Cristo chega a sua glória, mas o que chega à glória é o mesmo que viveu a história. Assim também é a nossa vida. Quantas vezes queremos a Jerusalém dos momentos bonitos, festivos, como esse agora. Mas, para vivermos esta Jerusalém, passaremos por tantas galileias: celebrações menores, às vezes com poucas pessoas; vendo pessoas que nos deixam, abandonam a Igreja. São as nossas galileias. Mas para não desanimarmos na Galiléia, olhemos para a páscoa, para a ressurreição. Para que não nos alienemos na páscoa e na ressurreição, devemos nos lembrar da Galiléia. O Cristo glorioso é o mesmo da história, assim como o Cristo morto na história é o mesmo que é glorioso. É um só Senhor! Amém. (15.04.06 - Vigília Pascal)

 

ATENÇÃO: Caso você queira comprar este  volume de  homilias de Pe. João Batista Libanio, você poderá fazer o pedido enviando uma mensagem de email para o endereço martatins@yahoo.com.br, aos cuidados de Marta Martins. Para cada livro, cobramos o valor simbólico de R$ 18,00 por unidade. Neste valor já está incluso o custo do frete para qualquer lugar do Brasil. Caso tenha alguma dúvida, fique a vontade para entrar em contato conosco.       

(Todo valor recolhido dos livros vendidos é revertido para atividades sociais e manutenção do site jblibanio.com.br. O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é uma organização sem fins lucrativos e comprometida com a Evangelização para mais servir e amar.)

 


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