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Home / Falecimento P. Libanio 30/01/2014 / TODOS SOMOS DEVEDORES AO PADRE LIBÂNIO - 20/03/14

TODOS SOMOS DEVEDORES AO PADRE LIBÂNIO - 20/03/14

Frei Patrício Sciadini, ocd.

Sem duvida o P Libânio do céu deve sorrir diante deste artigo, escrito por este pobre carmelita descalço, que nem sabe mais a qual povo pertence, se a Itália, se ao Brasil, se ao Egito. Sou cidadão do mundo. Mas a noticia triste da morte improvisa do P Libânio, teólogo, místico, escutador da palavra de Deus e do povo, através dos amigos comuns me chegou imediatamente. P. Libânio não é só conhecido no Brasil, na America latina, mas no mundo. A sua teologia tem ultrapassado os estreitos confins das faculdades teológicas e tem chegado ao povo fecundando o apostolado. O viver no meio do povo deveria sempre fecundar a cabeça dos teólogos para que sejam diante de Deus os profetas que sabem escutar o povo e falar com Deus, e escutar a Deus e falar com o povo.
A morte o surpreendeu em Curitiba aos 81 anos, bem vividos ao serviço de Cristo, no “exército de Cristo”, que é a Companhia de Jesus, ao serviço da Igreja e do povo do Brasil, da America latina e do mundo. Os seus livros, seus artigos, suas palestras, eram, são e serão fonte de reflexão. Por muitos anos os seus livros, suas intuições teológicas serão pontos referenciais no estudo da teologia a partir dos anseios do povo de Deus. Se eu pudesse definir o P Libanio diria que foi um incansável mensageiro de Deus, sempre pronto a dar a sua palavra serena, tranquila. Mesmo nos momentos difíceis sabia orientar com segurança, com amor e respeito. Várias vezes tive a oportunidade de encontrá-lo, de conversar com ele, de escutá-lo. Dava gosto. O P. Libânio caminhou não a margem da Igreja e nem fora da Igreja, caminhou com a Igreja e com o povo. Sabia ser um profundo perscrutador dos sinais dos tempos, sabia esperar mas chegava com sua palavra que iluminava os nossos caminhos. 
Não importa os livros que escreveu e nem o curriculum teológico ou as láureas de doutorado que ele tinha, isto não substitui o P. Libânio pessoa, sacerdote, jesuíta, religioso, era um homem de fé, de oração. Conhecia os místicos e sabia tratá-los com o devido respeito, falava do sagrado como de algo que fascina e seduz. Era alguém que nos conduzia pelos caminhos da teologia como “experiência de Deus”, uma experiência íntima, profunda, que só se pode ter na oração. Era profundo conhecedor, sem dúvida um apaixonado de Santo Inácio de Loyola, mas tinha uma “queda especial” por Santa Teresa e especialmente por São João da Cruz. Creio que estes dois santos foram para ele uma luz em muitos momentos de sua vida, de seus estudos, e caminhos para compreender o mistério de Deus e o mistério do ser humano. Um dia P. Libânio escreveu: “longa tradição a religião viu na morte, no sofrimento esta imensa janela, que nos abre para a transcendência. Alguns místicos chegaram muito mais longe. São Paulo dizia “desejo partir para estar com Cristo que é muito melhor’, Santa Teresa de Jesus suspirava dizendo ‘vivo sem viver em mim /e tão alta vida espero/ que morro porque não morro’… Basta ler São João da Cruz: ‘acaba já se queres, rompe a tela para este tão feliz encontro’. Ou em outro lugar “matando, morte em vida tens trocado’. Estas palavras o P Libanio as escreveu num artigo na Vida pastoral. Ele sempre amou os místicos. Caminhou nas noites, mas sabia que depois da noite viria a luz em plenitude. Todos nós somos devedores da teologia do P Libanio, do seu espírito fino e penetrante, do seu amor ao povo e à Igreja, e do seu grande espírito de oração e de contemplação. Agora que ele partiu para o céu o que podemos dizer é “obrigado Padre Libânio, e reze por nós, para que os teólogos, antes de serem escritores, sejam místicos contemplativos e só assim poderão transformar a partir de dentro a realidade da Igreja, tornando-a menos humana e mais de Jesus Cristo.

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