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Primeiro volume

Sempre achamos a comunidade de Vespasiano privilegiada. Sentimos isso ao par­ticipar do Curso de Teologia ministrado por Pe. Libanio e ao participar das missas por ele presididas na igreja N. Sra. de Lourdes. A riqueza da celebração passa por tudo: do brilho do olhar das pessoas, do choro das crianças - sempre acolhidas com tanto carinho - do olho no olho ao distribuir a Eucaristia, ao derramar amoroso das palavras, gestos e emoção do Pe. Libanio. Ele se transforma ao celebrar!

Tudo começou com um gesto simples: nessas missas, Marta, no momento da homi­lia, acionava o gravador. Pronto. Estavam registradas ‘as trovoadas em conserva': belas falas, pregações cativantes voltadas para o nosso cotidiano, numa linguagem ao mesmo tempo elaborada e acessível...

Inicialmente as fitas gravadas circulavam entre um pequeno grupo, que se delicia­va com aquelas reflexões. Como tudo na vida avança, evolui, Marta começou a trans­crevê-las. Um trabalho demorado, cuidadoso, realizado com desprendimento, afinco e muito carinho. Imprimia os textos, e novamente aquelas falas, agora na forma escrita, circulavam. Passaram a alcançar mais pessoas num efeito multiplicador. E veio a idéia: por que não reunir todos aqueles escritos numa apostila ou mesmo num livro? A idéia pareceu ótima. Mas houve receios. A mensagem original não poderia sofrer alterações na transposição do oral para o escrito. Mas decidimos correr riscos, porque não quisemos guardar só para nós o tesouro que tínhamos em mãos. Fomos contagiadas por este pro­jeto e passamos horas lendo, relendo, vibrando com as sábias palavras do nosso teólogo e mestre.

O trabalho final, apresentado neste livrinho, não é, portanto, uma obra literária. Mas é um tesouro garimpado pela generosidade da Marta. Não é para ser lido com o olhar na gramática, com um dicionário do lado. Deve ser lido com o coração. Salientamos que o Pe. Libanio não fez uma leitura prévia dos textos. Queríamos fazer-lhe uma surpresa. Queríamos também que o trabalho fosse concluído até o final deste mês de agosto, data do encerramento do Curso de Teologia, que acontece todos os anos em Vespasiano. É uma homenagem ao Pe. Libanio e uma comemoração pelos dez anos deste curso.

Convidamos todos a se sentarem nesse banco da vida e a lerem/ouvirem nosso amado Pe. Libanio, homem de Deus. E, através de suas palavras, sentirem o Espírito Santo agindo.

(agosto/2004)

Maria Alice de Morais Fonseca

Patrícia Ferreira Del-Fraro

 

 

DEUS ESQUECEU-SE DE IR EMBORA (Mt 5,43-48) p.31

Depois desse Evangelho, as nossas palavras são pequenas, são frágeis, são fragmentadas. Quem é capaz de chegar a esse nível de compreensão do ser humano? Nós vimos a primeira leitura de Paulo e agora vimos a leitura de Jesus.

Sabe como eu imagino o ser humano? Eu o imagino como um vulcão extinto. Por fora, aquela camada dura, granítica, mas por dentro, borbulha o magma a temperaturas altíssimas. De vez em quando esse magma explode e sai em jatos de fogo, jorrando por todos os lados e depois ele silencia e, de novo, as pedras e esse magma continuam ebulientes por baixo.

Sabe o que fez Deus conosco? Deus,quando criou-nos, escondeu lá dentro de cada um de nós, bem dentro de nós, a Ele mesmo. Ele escondeu no finito de nosso corpo, no finito da nossa mente, no finito da nossa inteligência o Infinito Dele mesmo. É por isso que somos inquietos. É que quando paramos, é como as cinzas que cobrem mas por dentro borbulha o magma que, de vez em quando, acorda e sai. São os momentos profundamente espirituais que nós todos temos. Somos talvez em 23:59 horas, rocha grande, dura, e naquele último segundozinho, explodem aquelas faíscas. São os momentos mais lindos de nossa vida. São poucos, mas são tão lindos! Tão lindos que compensam todas aquelas rochas gigantescas, aqueles momentos em que percebemos que somos infinitos escondidos! Por isso Santo Tomás olhava para o horizonte e dizia: -‘Este é o ser humano: o céu que se encontra com a terra!’ Somos horizonte, somos terra, muito terra, mas também somos um céu que toca a terra da nossa pequenez.

E porque somos tocados por esse Infinito é que nada consegue saciar-nos. Podemos abarrotar-nos de coisas, matérias, de desejos terrenos mas, de vez em quando, saem alguns desejos maiores que nós. Podemos enterrar-nos no trabalho cotidiano, nos cálculos, nos fóruns. Voltamos fatigados para casa com as lágrimas, com os nossos operários, uma loucura de trabalho. Mas, de repente, rasga-se este nosso cotidiano anódino, cinzento, banal, comum e brilha uma coisa diferente. É Deus que coloca a sua cabeça de fora e diz: "Aqui estou!".

Um poeta indiano diz que convidou Deus para vir a sua casa. Deus veio e esqueceu-se de ir embora. É isso que aconteceu com cada um de nós. Deus veio no batismo, o Espírito Santo veio no batismo e esqueceu-se de ir embora. Continuou entre nós. Nós podemos nos esquecer Dele, aliás O esquecemos muito. Passamos dias, anos sem falar Dele, sem pensar Nele. Mas Ele esqueceu-se de ir embora.

Ele continua falando, acordando-nos e é por isso que a história tem sentido, é por isso que nós temos esperança, é por isso que existe ética, é por isso que o neo-liberalismo não consegue matar as utopias no coração das pessoas. Podem fazer os cálculos que fizerem, podem fazer todos os testes, porque nada disso consegue abafar a divindade no coração de uma criança.32

Hoje, pela manhã eu realizava o rito do batismo das crianças e olhando cada criança pequenina que passava pela água, eu dizia para mim mesmo que na pequenez daquela criancinha, habita a Trindade Santíssima.

Por isso eu digo: "Mães, que ainda carregam vossos filhos no colo, não precisais nem de vir à igreja, para encontrar a Trindade. Tendes esta Trindade nos braços, quando carregais a pureza trinitária de uma criança!" E também quando tens um adolescente a seu lado, olhai, porque ele carrega, ele faz desenvolver dentro de si essa Trindade que começou a habitar o coração quando ele recebeu a graça do batismo. E quando os nossos olhos começam a ver as pessoas assim, muda muito o modo de ver, porque desaparece o ódio, desaparece o conflito, desaparece a raiva e existe só o perdão. Aí podemos entender: "Amai os vossos inimigos!", porque também nele - por mais carrasco, por mais tremendo que seja, por mais granítico que seja o seu coração - bem escondido lá dentro, está o magma da Trindade ebuliente. Talvez ele não deixe sair, mas está lá.

Nós temos obrigação de atravessar com os nossos olhos essas rochas dos corações mais duros e descobrir a Trindade habitando neles.

"Amai os vossos inimigos!". Essa é a razão. Não amo a violência deles, não amo o crime dos criminosos. Odeio os crimes, a brutalidade, a perversidade. Nada disso eu amo, mas nessa camada perversa do coração humano que nós detestamos, está escondido o infinito valor que ela tem, que conserva ainda – é Deus habitando em seu coração. Deus veio e esqueceu-se de ir embora. Amém. (18/02/01)

A VERDADEIRA EXPERIÊNCIA DO AMOR - (1Cor-13,1-8)

Essa é uma das páginas mais lindas que São Paulo escreveu.

Se olharmos a história da cultura, grandes homens, como Platão, Aristóteles, Shakespeare e tantos outros, pensaram, falaram, escreveram sobre o amor. Sem falar essa quantidade imensa de poetas que vão versejando sobre o amor. Mas eu me refiro aos grandes filósofos.

Um dos temas mais importantes para Platão em "O banquete" é o amor. E Paulo também não ficou atrás. Ele também quis falar do amor, mas aí houve uma grande diferença. Até então o amor que os homens conheceram e, até depois de Jesus mesmo,  o amor  era sempre  de alguém para ser depois amado. Era um jogo, como se faz até hoje o jogo do amor. A pessoa ama com um desejo imenso de ser amada.

Um famoso psicanalista disse essa frase um pouco sofisticada: "O desejo deseja ser desejado por aquele que lhe deseja" *. Muito profunda essa frase. Nós amamos aquele pelo qual queremos ser amados. Esse é o segredo do amor. Quando a gente quer ser amado por uma pessoa, a gente ama aquela pessoa. A gente a ama porque quer ser amado por ela. Essa é a grande experiência humana, muito bonita, grandiosa. E os gregos chamam-na de eros  e de filia e aí termina a filosofia.

Tudo isso fica muito pequeno depois que se captou em profundidade o amor de Jesus, a experiência de Jesus. Reparem bem que nenhuma vez nessa leitura se falou de ser amado. Paulo não falou uma vez sequer que a caridade é querer que o outro nos queira. E para nós é sempre isso: eu amo porque eu quero ser amado. Sou amado para amar. Uma criança é amada pela mãe, para amar a mãe, que ama a criança e quer ser amada pela criança. Vocês pensam que a mãe ama a criança assim, sem mais? Ela ama o filho porque quer ser amada pelo filho, por isso ela olha o olhar da criança para ver a reação, o esboço de um sorriso, aquelas mãozinhas que agarram. E a criança também é fascinada pela mãe, porque sabe que pode contar com ela.

Os amores humanos são idas e voltas, nunca apenas ida. O ser humano não agüenta o amor de ida sem volta. Nós somos muito pequenos e frágeis. Nós temos sede de sermos amados. Nós somos sedentos de sermos amados. A coisa que o ser humano mais deseja é ser desejado. Ele faz tudo para isso. As mulheres se embelezam, se perfumam, sorriem, treinam para serem amadas. Os namorados se encontram, olham, piscam, riem - tudo isso para serem amados.

Vem Paulo e diz: "Gente, o amor não é isso só. É isso, mas é mais".

"Mais Paulo? Mas o que você nos diz que é mais?"

Por isso ele não usou a palavra eros, ele não usou a palavra  filia. Ele usará a palavra ágape. Ele criou a palavra grega, porque ele sabia que as duas palavras - eros e filia - iriam desnortear-nos na compreensão do amor. Ele diz que a caridade é benigna, na caridade não tem inveja, a caridade perdoa, tudo suporta. Suporta até o não-amor. O que os nossos amores não suportam, a caridade suporta. Tudo crê, tudo pode, tudo espera. Olha que coisa impressionante! Tudo! Espera, sem certeza, sem experimentar, sem ver, sem perceber. Espera, aguarda. Aguarda o silêncio. É capaz de amar o silêncio do outro. Isso é terrível: sermos capazes de amar o silêncio do outro. Nós sempre queremos a palavra, o gesto, o carinho. E Paulo diz: "Não! O amor espera o silêncio do outro!"

Esposos, como seria duro se vocês vivessem à espera do silêncio do outro!. Como seria duro se os namorados, noivos, amigos vivessem apenas o silêncio do outro. Paulo diz: -"Isso é também o amor!".

É difícil, é tão difícil que essa é considerada a leitura mais sublime de todo o Cristianismo.

Nós vamos viver sempre nesse jogo. É bonito amar e ser amado, essa é a nossa espera, esse é o amor. Mas alguma vez na vida, desejaria eu, que vocês experimentassem a pureza límpida, cristalina do amor, que amassem o silêncio do outro, amassem o velho já inválido, amassem uma criança incapaz, amassem uma pessoa que não valesse mais nada, amassem um trapo de gente, amassem um assassino, amassem uma pessoa que só deseja o mal para vocês. Que um dia nós experimentássemos, uma vez sequer, aí teríamos a experiência da caridade, do amor cristalino, perfeito, bem próximo do que é Deus. Amém. (2000)

 * Referência a Eduardo Mascarenhas - psicanalista

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