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Quinto volume

 

Abaixo um breve trecho da apresentação do Volume V de "Um outro olhar - Coletânea de homilias de J. B. Libanio", em seguida, oferecemos uma das 48 homilias compiladas neste quinto volume: 

 

"Assim é João Batista Libanio: um dos maiores teólogos e pensadores do Brasil, cujas palavras e reflexões repercutem pelo mundo inteiro e, ao mesmo tempo, um intelectual orgânico, próximo do povo, místico, um verdadeiro pregador na melhor tradição de Santo Antônio de Pádua, tão próximo e atento às necessidades quotidianas das pessoas e das famílias. Detentor de títulos doutorais, autor de vasta obra literária... com essas brilhantes credenciais acadêmicas e intensa produção intelectual, era de se esperar que dedicasse seu tempo nos sábados e domingos a leituras, escritos, orações e reflexões pessoais. Em vez disso, todos os finais de semana o padre Libanio desloca-se de Belo Horizonte para a cidade de Vespasiano, onde exerce o sacerdócio, servindo a paróquia local. Trata-se de claríssimo exemplo de intelectualidade aplicada à prática, por meio de serviço amoroso à comunidade... ao mesmo tempo, como mostram os textos de suas homilias, ele nunca deixa de trazer referências dos grandes pensadores nos termos mais simples e acessíveis a todos, consoante com a convicção de que o dever do intelectual é compartilhar reflexões e conclusões com o próximo. (Patrus Ananias)"

 

 

UM AMOR QUE ESTRUTURA OS NOSSOS AMORES

(Mt 10, 37-42)

 

Esse Evangelho vem produzindo, freqüentemente, compreensões equivocadas. Primeiro, pelo gênero literário de Jesus. Infelizmente ele não falava português, mas aramaico e, às vezes, hebraico, algumas palavras gregas e talvez um pouco de latim - as línguas de seu tempo. No hebraico não há comparativo, como na nossa língua: mais, melhor, pior, maior. Eles usam os conceitos um ao lado do outro, afirmando. A idéia de comparação escapava-lhes do horizonte. Nós estamos muito acostumados com a comparação quantitativa. Quando eu digo mais e menos, sempre imagino uma balança.

Se quiséssemos entender o Evangelho de hoje ao pé da letra, colocaríamos o amor a Deus num prato da balança e o amor ao pai e à mãe no outro.  O amor a Deus deveria ser mais e abaixaria o prato da balança. Mas não é nada disso. Seria absolutamente equivocado, porque não podemos colocar em pratos de uma balança a relação com o Transcendente - Deus, Jesus - e a relação com os seres humanos, pois são de naturezas diferentes. É como se alguém dissesse: eu gosto mais do azul do que de doce de coco. Um é para ver, outro para saborear. A frase não faz sentido, pois trata-se de dois valores diferentes.

O amor de Deus é outra grandeza. O que Jesus quis dizer é algo muito mais simples, e que todos nós vivemos. Eu não posso dizer agora para um pai que ele deve gostar mais de Jesus do que de uma filha. O que Jesus diz é que precisamos de um amor que estruture o nosso amor. Isso sim! É um amor muito mais profundo, que alimenta os nossos amores humanos. Pode acabar o amor por sua filha, o amor da esposa por seu esposo - a toda hora vemos isso. Nós precisamos de um amor maior. Não para que amemos mais esse amor maior, mas para que ele faça os nossos amores humanos serem maiores ainda. É isso que Deus quer: que o esposo ame mais ainda a sua esposa, e vice-versa. Que o pai ame mais ainda a sua filha. Mas o pai, a filha, o esposo podem, muitas vezes, ficar dilacerados, porque não conseguem relacionar-se bem. Jesus diz que todas essas dificuldades que encontramos em nossos amores humanos podem ser melhoradas, se encontrarmos um amor maior. E aí está o amor de Deus. Vocês serão capazes de continuar amando aquelas pessoas mais próximas de vocês. É uma ilusão muito grande, e a Psicologia está aí para nos alertar, pensar que o amor na família é mais fácil. Pelo contrário, é o mais difícil. Sabemos hoje - as estatísticas dizem - que a maioria dos crimes são cometidos dentro da família. Não são estrangeiros, assassinos profissionais. Estatisticamente, a maioria dos crimes se comete dentro da família. O "Jornal de Opinião" (*) tem todo um trabalho sobre isso. A reportagem principal diz que 80% das prostitutas foram introduzidas na vida sexual por alguém da família. É por isso que Jesus diz que é importante que amemos a Deus, para que o nosso amor dentro da família seja forte, seja puro, seja grandioso. É difícil o esposo, depois de vinte e cinco anos, continuar amando a sua esposa.  Hoje temos este casal maravilhoso, comemorando cinqüenta e oito anos de casados - os pais da Maria José. Um casal que está junto no amor há cinqüenta e oito anos é algo espantoso!

E agora vem a segunda passagem do Evangelho, que também parece algo meio doido, mas não é. Jesus diz que a gente só ganha, perdendo. O que Ele quis dizer com isso? Quando um esposo quer ganhar muitas mulheres acaba perdendo até a própria. Está aí a prova. Para ganhar, para vivermos felizes, para decidirmos, temos que renunciar. Cada decisão que tomo significa uma renúncia enorme. Por isso, os jovens, quando se aproxima o vestibular, ficam angustiados. Se escolherem engenharia, não poderão ser advogados. Se escolherem advocacia, terão que deixar outras coisas.  Se escolherem medicina, magistério terão sempre que deixar outra coisa. Eu escolhi ser padre, não posso ser pai. É tremendo isso! Não pensem que é fácil renunciar à paternidade. Toda escolha, se for realmente assumida, traz junto uma renúncia. Se eu fosse casado, teria que renunciar a outras coisas. Eu só posso ganhar, sabendo que qualquer decisão humana que tomar implicará numa renúncia enorme. As pessoas que não são capazes de reconhecer o limite são infelizes, são dilaceradas. Querem abarcar tudo.

Quando eu li que Bill Gates, o acionista majoritário da Microsoft, tem uma fortuna de noventa milhões de dólares, pensei que, com isso, ele perde muitas coisas. Perde as pequenas ternuras da vida, a liberdade, o carinho, para poder abraçar tantos dólares. E desses dólares, nenhum centavo sequer vai para o caixão. Podem comprar um caixão de ouro, mas o defunto não aproveita nada. Alguém que pensa que, com noventa milhões de dólares, tem o mundo, não tem nada. Talvez não tenha nem amor, nem paz, nem alegria. Não pode brincar com uma criança na rua, porque tem medo de ser seqüestrado.

Esse é o jogo profundo de Deus. É isso que Jesus quer nos dizer. É preciso tirar essas ilusões tolas, esses desejos imensos. Se pensarmos que, abarcando o mundo, teremos felicidade, estamos totalmente enganados.

A felicidade é feita de pequenas alegrias. A alegria do olhar de uma criança vale muito mais que infinitas outras alegrias. Pensar que a felicidade é feita de grandes alegrias, de freqüentar hotéis de cinco estrelas pelo mundo inteiro, é uma ilusão idiótica, de uma idiotice gigantesca.

Alegria verdadeira é um casal que chega a bodas de ouro. Essa é uma alegria incomparável! Pais que entendem seus filhos, mães carregando-os no colo. Não há alegria maior. Nada pode se comparar com isso. E Jesus diz, com razão, que perdemos muitas coisas. O homem e a mulher, quando têm um filho, perdem muita coisa. Perdem noites de sono, perdem a tranqüilidade, ficam preocupados. Mas nada lhes tira a gigantesca alegria de construir uma vida para o futuro. Isso é mais do que todas as perdas e renúncias. Amém. (26.06.99)

 

(*) jornal da Arquidiocese de Belo Horizonte


 

      ATENÇÃO: Caso você queira comprar este  volume de  homilias de Pe. João Batista Libanio, você poderá fazer o pedido enviando uma mensagem de email para o endereço martatins@yahoo.com.br, aos cuidados de Marta Martins. Para cada livro, cobramos o valor simbólico de R$ 18,00 por unidade. Neste valor já está incluso o custo do frete para qualquer lugar do Brasil. Caso tenha alguma dúvida, fique a vontade para entrar em contato conosco.

(Todo valor recolhido dos livros vendidos é revertido para atividades sociais e manutenção do site jblibanio.com.br. O grupo de amigos e admiradores de Pe. J.B. Libanio é uma organização sem fins lucrativos e comprometida com a Evangelização para mais servir e amar.)


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