| Recensões: BOFF, Leonardo (Org.) - RAMOS REGIDOR, José - BOFF, Clodovis: A Teoloogia da Libertação. Balanço e perspectivas | |||
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BOFF, Leonardo (Org.) - RAMOS REGIDOR, José - BOFF, Clodovis: A Teoloogia da Libertação. Balanço e perspectivas. Ática, São Paulo, 1996. 21,3 x Este pequeno livro apresenta quatro diferentes textos. Dois de L.Boff, um bem mais extenso de J. Ramos Regidor e um quarto de Cl. Boff. Procuram os AA. fazer um balanço dos 25 anos da Teologia da Libertação. L. Boff usa a imagem do desposório da Igreja com os pobres para entender o itinerário da Teologia da Libertação, considerada filha desse amor. A fase de enamoramento e noivado corresponde aos anos do Concílio Vaticano II em que no final um grupo de bispos, entre eles D. Helder, nas catacumbas de Santa Domitila, fora de Roma, se compromete com uma Igreja servidora e pobre. A Conferência do Episcopado da América Latina em Medellín (1968) consuma o matrimônio. O nascimento, o batismo e o registro civil ficaram por conta da obra programática de G. Gutiérrez: Teologia da Libertação (1971). A Conferência de Puebla confirmou a Igreja nessa opção pelos pobres. Os anos seguintes constituem-lhe a fase adulta. E os principais dados de sua carteira de identidade são: primeira teologia da periferia do Cristianismo, apelo à consciência mundial desde as maiorias pobres da humanidade, apelo ao Vaticano que assume suas intuições fundamentais, referencial indiscutível para os oprimidos e marginalizados, questionamento às outras teologias quanto à sua relevância social, grandeza ética, recordação para toda a Igreja de valores do Evangelho dos pobres e da libertação. Desta sorte, de maneira simpática, densa, L. Boff oferece excelente síntese da TdL no contexto da opção da Igreja pelos pobres. O texto significativamente mais amplo ficou por conta de J. Ramos Regidor. Espanhol, que vive há mais de 40 anos em Roma. Esteve ligado durante muitos anos ao Centro I-DOC em Roma, onde pôde ter acesso às abundantes obras da TdL. Atualmente é secretário de uma articulação de estudiosos e militantes sob o título “Campanha Norte-Sul: biosfera, sobrevivência dos povos, dívida”. Nesse longo balanço, o A. insiste na metodologia nova e original da TdL, marcada pela realidade sociopolítica da tensão opressão e movimentos libertadores, e pela realidade eclesial das Comunidades Eclesiais de Base. Traça-lhe breve história, atendendo para suas fases. Elementos já muito conhecidos de todos que transitam nessa área. Indica também os novos temas da TdL, que dá maior importância à dimensão cultural, feminista e ecológica. Ao trabalhar a metodologia, baseia-se fundamentalmente no livro dos irmãos Boff: Como fazer Teologia da Libertação (Petróplis, Vozes, 1993, 6a edição). Não menciona, no entanto, outros textos importantes no campo da metodologia, como o próprio livro de Cl. Boff, (Teologia e Prática: teologia do político e suas mediações, Petrópolis, Vozes, 1978) mais profundo e amplo. Nas pegadas de J. Sobrino, esboça alguns traços da cristologia do seguimento. Infelizmente desconheceu a tese doutoral de I. Neutzling (O Reino de Deus e os pobres, São Paulo, Loyola, 1986), que nem aparece na bibliografia final. Outro capítulo trata da tensão entre a Igreja de cristandade e a Igreja dos pobres, na esteira de L. Boff e outros. O tema da espiritualidade, da mística, do martírio merece atenta consideração. Em seguida, desenvolve amplamente a tensão Norte-Sul e estuda a literatura que se produziu por ocasião das comemorações do Quinto Centenário do início da evangelização, onde tal questão aflora. Mantém bem clara a polaridade desse tema. Talvez até excessivamente. Mais uma vez volta sobre as novas temáticas da TdL como sua relação com o emergir do paradigma ecológico, retomando sobretudo os estudos de L. Boff. A teologia feminista merece também abundante referência. Avança em direção ao desafio dos povos indígenas, respondido por uma TdL de corte indígena. Detém-se outrossim na questão da relação entre TdL e etnia negra. E finalmente encerra o quadro temático situando a TdL no interior do diálogo inter-religioso. À guisa de conclusão, acena para a recepção da TdL na Europa. Este texto cumpre excelente função de informação atualizada, séria e bem estruturada. Consegue, de modo amplo, referir as últimas tendências da TdL. No entanto, tem-se a impressão de que o A. ficou preso a um número relativamente pequeno de teólogos da libertação, embora de relevância, mas desconheceu obras de peso e segmentos inteiros. Basta dizer que Carlos Mesters não apareceu em nada, sem falar da pouca incidência da presença de J. L. Segundo, e de outros muitos. Mas certamente o limite de espaço e a necessidade de escolher no meio de tantos escritos obrigaram o A. a essas reduções. Cl. Boff, em breve e contundente texto, defende praticamente uma tese central. A TdL no “espírito da coisa” continua viva, mas tem necessidade de atualizar-se e modificar-se quanto às mediações de análise, de projeto e de estratégias. Finalmente, L. Boff, num segundo texto, retoma as idéias já mais amplamente trabalhadas em outras obras onde articula o “grito dos pobres” com o “grito da terra”. Sempre é bom num momento em que a TdL de fato tem menos presença no mundo da publicidade e no interior da Igreja, mas em que ainda lhe resta enorme fôlego, ler um livro de esperança e prospectiva. Recolhem-se-lhe os frutos do passado e abrem-se-lhe novos desafios e tarefas. J. B. Libanio |
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