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Recensões: SCATTOLA, Merio: Teologia politica  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/11/17
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SCATTOLA, Merio: Teologia politica. Bologna: Il Mulino, 2007. 235 pp., 20, 3 X 12, 5 cm. Col. Lessico della Politica. ISBN 978-88-15-11867-7

                O termoteologia política” permite três intelecções. Se prevalece o termo política, temos uma política da teologia que subordina a política a seu ditame com aspiração à hierocracia. Se os dois termos se equilibram, faz-se então uma reflexão sobre o núcleo teológico da política ou se estuda o significado filosófico-político implicado em toda teologia. E se predomina o termo política, se produz uma teologia da política, isto é, uma teologia civil. Aos três tipos de teologia política correspondem três diferentes extensões do seu conceito: sentido amplo, próprio e especial, pedindo um método diferente de pesquisa. Tanto teologia, política como teologia política aceitam essa tríplice tipologia genérica, própria e especial com extensões cada vez mais restrita. Exige-se, pois, clarificação dos termos.

                Há uma teologia, no sentido amplo, que se fez presente nos diferentes grupos humanos respeito aos fenômenos religiososnarrações, usos, mitos, ritos -, como conhecimento sobre o numinoso. Há outro sentido em que ela se refere a um específico saber sobre o divino, um discurso explícito, uma disciplina dotada de práticas hermenêuticas próprias.

                O mesmo se pode falar da política. Num sentido extensivo, ela abarca uma relação de ordem, existente em toda população quanto à variedade de papéis e funçõessexuais, familiares, de subsistência ou militares -, gerando diferença entre os membros. Daí existir nas comunidades humanas um ordenamento interno e uma ordem organizada relacionando os níveis: organização política no sentido genérico e metafórico.

                Política, no sentido próprio, ocidental, é uma organização da comunidade, meditada, reflexa e mediada pelo discurso. política onde se toma consciência dela e se formula um pensamento político; onde se faz e se pensa a política. Atributo do Ocidente.

                A mesma amplitude ou restrição vale da teologia política. No sentido amplo, todas as comunidades humanas possuem teologia política, ao estabelecer certo nexo entre a especialização dos papéis e certas formas míticas e religiosas.  No sentido próprio, existe onde se elabora o nexo entre a transcendência e a ordem humana por meio de reflexão racional. Ela se define como um discurso racional em torno ao viver em comum dos humanos.

                Há duas possíveis maneiras de perseguir lexicograficamente, na história, um tema. A linha de caráter semântico e a de caráter nominal. A semântica não se prende ao termo – no caso, política -, mas aborda-o nas diversas expressões lingüísticas em que ele é, de certo modo, traduzido. A leitura nominal segue o termo sob determinada forma. O livro não pode prescindir de um estudo formal, mas não deve parar . Teologia política carregou o nome de religião política e na realidade da política se incrustam muitos conceitos: majestade, soberania, contrato, poder, ordem, secularização, etc.

                Contra esse pano de fundo, o livro trabalha o tema, abordando os seguintes pontos. Começa com estudo lexicográfico do termo teologia política e teologia civil, desde sua origem até hoje. Por ser teologia, sonda a fundação cristã do problema, desde o apóstolo Paulo, passando por Eusébio de Cesaréia, Santo Agostinho, Santo Tomás até a dupla ordem de  Dante Alighieri e Marsílio de Pádua. O século XVI mereceu relevo com a escatologia política de Lutero, a doutrina da plena potestade papal, a teologia federal dos calvinistas e outros pontos mais. A idade moderna trouxe nova forma da mediação política: o problema da secularização, Hobbes, Spinoza, o direito natural moderno, a contra-revolução, a restauração, o romantismo, Hegel e o pensamento político católico. Fechando o estudo, o século XX conheceu a recapitulação e descoberta da teologia política, a política corrompida pela teologia, a degeneração do sagrado e a construção niilista do Estado, a política salva pela teologia, a teologia da história, a alternativa política à teologia, o debate sobre a secularização, a alternativa teológica à política, êxodo e reserva escatológica. Tudo conclui com o debate atual.

                Pela simples enumeração dos temas tratados, percebem-se a amplidão e o caráter histórico do estudo. Sendo um autor italiano, estranhei a quase totalmente omissão de Machiavelli que parece tão importante na transformação e secularização da política. O livro apresenta amplo quadro para entender os piques e rebotes da teologia política, de tempos em tempos.

                               

                                       J. B. Libanio

                              

 

 
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