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Recensões: RODRÍGUEZ OLAIZOLA, José María, sj – En Compañía de Jesús. Los jesuítas  
Autor: jblibanio
Publicado em:: 2010/11/16
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RODRÍGUEZ OLAIZOLA, José María, sj – En Compañía de Jesús. Los jesuítas. Ilustraciones de Jaime Vicário, sj. Santander/Bilbao: Sal Terrae/Mensajero, 2010. 20, 8 cm x 20, 5 cm. 141 p. ISBN 978-84-293-1854-8

                Uma ordem religiosa que leva quase 5 séculos de existência pelo simples fato dos anos tem muito a dizer. Além disso, a Companhia de Jesus surgiu no albor da modernidade e viveu as vicissitudes desses últimos séculos com imensa intensidade. Pelo número de membros e, de modo especial, pela longa e profunda formação intelectual e religiosa exerceu enorme influência na política e na cultura. Quem exerce poder, qualquer que ele seja, ou se aproxima dele, recebe imediatamente epítetos extremos. Assim aconteceu com os jesuítas. A ladainha vai desde progessistas, sábios, estudiosos até rebeldes e orgulhosos. A verdade passa por meio deles, tocando a todos a seu modo. Esse livro, escrito de forma simples, direta, breve, clara toca esses aspectos com honestidade. Além de luxuosa edição de papel couché, outro jesuíta enriqueceu-o com ilustrações. elas valem pela expressividade e por característica original do artista. Chamo a atenção para a força expressiva das figuras, das cenas desenhadas com primor e talento.

                Que traços comuns e próprios existem na pluralidade dos jesuítas? O autor enfrenta tal desafio, tanto mostrando a sua diversidade como o traço comum. na espiritualidade o ponto de convergência dos um pouco mais de 18 mil jesuítas atualmente no mundo, metidos em colégios e universidadess, em campos de refugiados, em templos de bairros elegantes e nas favelas do 3º Mundo, em ONGs, como artistas, professores, doutores, operários, cientistas, escritores, sacerdotes, irmãos e estudantes.

                Tudo começa com Inácio de Loyola. Retoma sucintamente traços de sua vida mundana, conversão, peregrinação, reunindo amigos, fundando a Companhia de Jesus, dirigindo-a como primeiro Geral. Inácio marcou os jesuítas com quatro características: buscar a vontade de Deus, amizade com as pessoas, fidelidade à Igreja e compromisso com os pobres e deserdados desse mundo.

                Quase cincos séculos de história desfilam diante do leitor em breves toques. Os dois primeiros séculos presenciaram rápido e expressivo crescimento numérico e expansão pelo mundo em profundas transformações por causa das grandes navegações, exploração de terras desconhecidas pelos europeus. Nesse torvelinho, estavam os jesuítas nas Américas, na Índia, na China, no Japão. Um famosos jesuíta dos inícios, pe. Nadal, resume bem: “os jesuítas não somos monges [...] o mundo é a nossa casa”. Viram-se envolvidos em grandes polêmicas doutrinais, em conflitos políticos até sofrerem a supressão canônica por parte do Papa Clemente XIV no final do século XVIII.

                Ela renasce no início do século XIX para enfrentar os entreveros do mundo moderno. Coloca-se do lado da conservação da Tradição a serviço da Igreja no meio dos ataques da modernidade. Não lhe faltaram vozes corajosas e proféticas até o surgir da terceira etapa, marcada pelo Concílio Vaticano II no qual teólogos jesuítas de renome tiveram significativa influência. A pessoa gigante do Padre Geral Pedro Arrupe, eleito em maio de 1965, quase no final do Concílio, moldou a Companhia de Jesus do pós-concílio. Deu-lhe novo vigor, coragem e liberdade. Sofreu por isso enormemente, já que nem todos lhe entenderam a grandeza interior e a macaquearam em aberturas sem consistência.

                Terminadas essas duas paisagens, a de Inácio e a da história da Companhia, o A. se pergunta pela alma de ambas: a espiritualidade. Aponta-lhes os traços fundamentais. A fonte primeira está na experiência dos Exercícios Espirituais retratada na oração que aparece no frontispício do capítulo: “Tomai, Senhor, e recebei toda minha liberdade” no sentido de entrega total da pessoa ao Senhor. Para quê? Em primeiro lugar, existe a certeza de que Deus quer algo para nossa vida. Pela via do discernimento, o jesuíta busca conhecer o que Deus pede dele. E temos um caminho a trilhar: seguir a Jesus Cristo de maneira concreta na própria vida. E onde viver? No mundo atual, dilacerado, para anunciar-lhe o evangelho, a boa nova salvadora. Como se viu na frase da Nadal: o mundo é a nossa casa. Não a partir de uma ideia exaltada de si, mas antes, pelo contrário, com a convicção da própria fragilidade e por isso necessitante da misericórdia perdoante de Deus. E tal compromisso e missão se faz em e na Igreja, e não como obra de franco-atirador. E a última força vem do amor. Na contemplação para alcançar o amor termina a aventura dos Exercícios Espirituais de 30 dias.

                A educação merece consideração especial nesse retrato do jesuíta. Padre Arrupe traçou o almejo principal da educação para as obras da Companhia: “nossa meta e objetivo educativo é formar pessoas que não vivam para si, mas sim para Deus e para Cristo: para Aquele que por nós morreu e ressuscitou; pessoas para os demais, isto é, que não concebam o amor a Deus sem o amor ao ser humano; um amor eficaz que tem como primeiro postulado a justiça e que é a única garantia de que nosso amor a Deus não é uma farsa, ou inclusive, uma  roupagem farisaica que oculte nosso egoísmo”. A educação jesuíta visa a formar uma pessoa autônoma, com projeto, sólida, crítica e que crê.

                Ao fechar esse belo texto, o A. se detém no jesuíta de hoje. Os números falam: no dia 1º de janeiro de 2009 eram 18.516 dos quais 13.112 são sacerdotes, 1.675 irmãos, 2.920 estudantes e 809 noviços. Descreve a estrutura de governo da ordem, desde a Congregação Geral, o poder supremo, passando pelo Padre Geral até superiores maiores das províncias. Apresenta de maneira atualizada e pastoral os votos religiosos: uma pobreza como liberdade diante dos bens, a castidade como um coração cheio de nomes, a obediência como confiar a outro a última palavra e finalmente o voto especial de obediência ao papa em vista da missão. Eles se dedicam às mais variadas atividades. Na Congregação Geral 35 (2008), os jesuítas se disseram: “nosso profundo amor a Deus e nossa paixão por seu mundo, deveriam fazer-nos arder, como um fogo que acende outros fogos” na educação, no campo pastoral, na lide social. Para tanto, exige-se longa formação desde o noviciado até um último ano de provação depois da teologia para então ingressar definitivamente na Ordem. E termina o livro acenando para algumas curiosidades que cercam a vida do jesuíta: ser bispo, cardeal ou papa, além de atuação no mundo do cinema, das letras, da Internet.

                Fica esse interessante livro como sugestão para quem deseja conhecer de perto os jesuítas para que pela via do conhecimento cheguemos à meta da amizade.

                                       J. B. Libanio

 
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