| Recensões: GIL, Juan Carlos – NISTAL, José Ángel: New Age. Una religiosidad desconcertante | |||
|
|||
|   |
GIL, Juan Carlos – NISTAL, José Ángel: New Age. Una religiosidad desconcertante. Barcelona, Herder, 1994. 280 pp. 19,8 x Livro simples, didático e claro que serve de excelente introdução à realidade da Nova Era. Na sua natureza de primeira aproximação é bastante completo. Começa com uma análise da atual conjuntura religiosa. Em rápidas pinceladas, pinta o quadro cultural, histórico e social do momento em que emergem os novos movimentos religiosos. Desde a década de 20, ocorre freqüentemente na literatura o tema do vazio espiritual e da ausência de sentido, refletindo um mal-estar antigo. O homem sente-se sem casa (homeless) (P. Berger). O surto libertário da década de 50 e 60 é abafado. Passa-se da euforia ao desalento. Nesse ambiente aumenta a inquietação religiosa. Está o clima preparado para o fenômeno dos novos movimentos. Os novos movimentos religiosos correspondem a um despertar espiritual religioso plural, difuso, complexo, que se visibiliza em manifestações bem diversas. Desafiam qualquer sistematização. Refletem mais um clima, atmosfera, espírito que se difunde. O A. procura tipificar o universo extremamente pluralista dos movimentos. Uns movimentos nascem dentro das grandes tradições religiosas, outros partilham tanto da tradição esotérica ocidental como da mística oriental. Outros ligam-se seja a experiências religiosas arcaicas, seja a ciências humanistas, parapsicológicas e outras. Manifestam uma reação à dimensão religiosa e afetiva que fora reprimida pela racionalidade moderna, respondem ao pluralismo de cosmosvisões e ideologias. Aí dentro situa-se o fenômeno da Nova Era. O capítulo II descreve a irrupção da Nova Era. Há um acento sobre o aspecto de “novidade”. Esse surto afeta todos os setores da vida: desde a alimentação até a música, desde uma maneira de comunicar-se com o passado até uma atitude diante do futuro. O aspecto astrológico é fundamental nessa virada, caracterizada como a passagem da era de Peixe para a de Aquário. A Nova Era apóia-se sobre diversos pilares. O A. descreve rapidamente alguns deles: o método, a base filosófica e científica, a psicologia subjacente, as características de esoterismo e ocultismo, a religião e alude a outros, como ao feminismo e à apocalíptica. O capítulo III aborda essa realidade sob o prisma do novo paradigma em que a Nova Era se situa. Nas pegadas teóricas de Th. Kuhn, explica rapidamente o que é paradigma, como surge um novo paradigma, o período de transição. Em seguida, descreve as características do novo paradigma, desentranhando, de maneira bem esquemática, os elementos aí envolvidos da ecologia, holística, medicina alternativa, psicologia, espiritualidade. Apóia-se muito nas reflexões de F. Capra que fala de um sistema integral sobre a vida, a mente, a consciência, a evolução, etc. O capítulo IV trata propriamente da Nova Era depois de ter exposto o que a precedeu, preparou e alimentou. Apresenta os seus precursores no mundo da ciência e pseudociência desde E. Swedenborg (1688-1772) até os gnósticos de Princeton, da psicologia desde C. Jung (1902-1989) até Maslow, da gnose (séc. II-III dC) recuando a J. de Fiore (1130-1202) até J. Böhme (1575-1624), do esoterismo e ocultismo de H. Blavatsky (1831-1891) até R. Guénon (1886-1951), do espiritismo e magia de Pico della Mirandola (1463-1494) até C. Castaneda (*1939). Recorre a outras fontes históricas e religiosas. Em seguida, concentra-se nos representantes atuais e seus divulgadores. Segue-se longa lista de nomes que vão desde F. Capra até M. Ferguson. Há também a “rede dos conspiradores” na linguagem de M. Ferguson. Eles irradiam essa consciência de que vivemos na Nova Era. O capítulo V oferece uma primeira abordagem geral do que é realmente a Nova Era. Ela tem uma pretensão absolutizante no sentido de abarcar toda a realidade desta vida e da outra, física e espiritual, ideológica e filosófica, cosmovisão, espiritualidade, etc. Por isso, é difícil dar-lhe uma definição com precisão. O A. propõe a seguinte: “a proposta de uma cosmovisão – sincrética e eclética a respeito de diversas tradições culturais e autores – de toda a realidade, apresentada como nova consciência integral ecológica e holística, que, sem um corpo doutrinal preciso e homogêneo, encontra na dimensão religiosa seu maior florescimento, como expressão de uma espiritualidade panenteísta, cósmica e imanente” (p. 193). No capítulo VI sistematiza, enquanto possível, a teologia veiculada pelos principais autores da Nova Era. Parte da afirmação central, citando M. Kehl, de que “tudo é uma só coisa: Deus e o mundo, o espírito e a matéria, o homem e a natureza, o corpo e a alma, o eu e o tu. Mais ainda: tudo o que existe constitui uma grande unidade e totalidade, animada de espírito. Todas as coisas estão entrelaçadas umas com as outras e unidas mediante uma rede” (p. 196). Em seguida, expõe a concepção de Deus, de Cristo e do Espírito Santo conforme se deduz dos escritos da Nova Era. Confronta em breves linhas com a fé cristã, mostrando a diferença e distância entre ambas. Indica também pontos que podem ser positivos para a fé. Em seguida, aborda questões antropológicas sobre a condição criatural do ser humano, sua salvação e consumação. Segue o mesmo esquema crítico, apresentando os pontos de divergência e aqueles que podem provocar o cristianismo a um repensamento de si mesmo. E fechando a parte de conteúdo, expõe a visão de mundo da Nova Era e sua relação com a fé cristã. Conclui esse capítulo mais importante assumindo a Nova Era como um desafio ao Cristianismo. Antes de tudo, pede-se do cristão uma atitude de diálogo. Depois salienta os pontos da Nova Era que podem ser compartidos pelo Cristianismo e as divergências fundamentais para evitarem-se ilusões. E, por fim, estão os reptos levantados à Igreja, à sua pastoral. O livro apresenta excelente apêndice bibliográfico por temas. Dessa maneira o leitor poderá prosseguir suas leituras e estudos. Livro equilibrado, crítico, de fácil leitura e ampla informação. Mantém uma posição aberta diante da Nova Era a partir da identidade cristã. Por isso, pretende orientar o cristão a perceber os desafios válidos provocados por esse fenômeno, sem deixar-se confundir pelos seus ensinamentos. Mostra com clareza os pontos de conflito e contradição com a fé cristã. É excelente guia para introduzir alguém nessa temática. J. B. Libanio |
|   |
|
_WFS_RATINGA (Votos:) Avalie este Artigo |
| Lista de Seções | Página Inicial |

