| Recensões: FORTE, Bruno: Teologia in dialogo. Per chi vuol saperne di più e anche per chi non ne vuole sapere | |||
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FORTE, Bruno: Teologia in dialogo. Per chi vuol saperne di più e anche per chi non ne vuole sapere, Milano, Raffaello Cortina, 1999. 148p. 22,5 x É um tipo original de introdução à teologia. Não segue o esquema tradicional, mas aborda alguns dos seus temas fundamentais. Começa com a pergunta: por que teologia? Com breves pinceladas, apresenta a atual situação cultural sob diversos aspectos. Há um ressurgir do fenômeno religioso em resposta à crise de vazio, de niilismo, de orfandade ideológica do momento cultural presente. Tal fenômeno se manifesta pela necessidade de sentido, da redescoberta do outro e do Último. Estabelece-se um novo consenso em torno das evidências éticas. O Ocidente sente a necessidade de definir um mínimo denominador comum ético e os cristãos procuram mostrar a universalidade do específico cristão. Prosseguindo a resposta, aborda o desafio das religiões. A globalização as faz invadir o mundo todo. Alude rapidamente às três clássicas posições do diálogo inter-religioso: exclusivismo, inclusivismo e pluralismo. Termina o capítulo, inspirado por G. Gutiérrez, referindo-se à situação dos países do Terceiro Mundo, como “reverso da história”. No capítulo seguinte, levanta a pergunta: qual teologia? A resposta é um rápido percurso pela história da teologia. Esta se move entre dois extremos: a sedução idealística, especulativa, sistemática que vê a história da teologia como uma espécie de verificação dos conceitos teológicos pela história e a tendência positiva de acumular dados de maneira meticulosa. Há uma via média que procura ser narrativo-argumentativa, como fizeram H. de Lubac, M.-D. Chenu e outros. A teologia nasceu do dado bíblico cristão. Ela faz o percurso do símbolo (bíblico-patrística) em direção à dialética (escolástica). Na modernidade, há a irrrupção da subjetividade na teologia que provoca a emergência do modelo histórico-hermenêutico. Uma terceira pergunta: que coisa é teologia? Resposta lapidar: é o pensamento do encontro entre a condição humana de êxodo (caminhada na história) e o advento do Deus vivo na sua revelação histórica (lado transcendente). Aprofunda essa dupla dimensão de história e de “advento” de Deus. Recorre a três categorias para tanto: memória, companhia e profecia. Em seguida, tem palavras muito belas sobre a qualidade do teólogo: homem de fé, de Igreja e de liberdade científica. Termina o capítulo, discorrendo sobre o objeto da teologia e a sua linguagem. Numa palavra: o objeto é a Palavra de Deus transmitida viva na Igreja por obra do Espírito com a ajuda de autoridades autênticas (Ss. Padres, magistério, fé dos fiéis). A linguagem mais própria é a parábola, como exercício da analogia e com seu modo simbólico de exprimir-se. Em quatro capítulos seguintes, o A. trata das relações da teologia com outros saberes. Em primeiro lugar com a filosofia (capítulo quarto). Vê ambas solidárias hoje no meio a uma crise comum de “perda de lar”. Reencontram-se diante de uma mesma provocação vinda, já não da categoria da identidade, mas da alteridade. Tal temática é trabalhada sob a forma de três categorias: a maravilha, a agonia e a ética. Três questões as desafiam: a questão de Deus, da vida e da cruz. Em relação à psicologia (capítulo quinto), o A. estuda a relação difícil da teologia com ela. Passa-se por três fases – resistência, indiferença e rendição – em direção à integração. Em teologia e práxis (capítulo sexto), o A. mostra a difícil relação entre Palavra e ethos, seja na posição radical de Transcendência da Palavra sobre o ethos (K. Barth), seja na humanização da Palavra no ethos (teologia querigmática), seja numa posição sintética e harmônica para além do dualismo (Conc. Vaticano II). Fechando o círculo das relações, o A. estuda a trajetória da teologia em confronto com a ciência. Percorre o momento agostiniano da finalidade mútua (credo UT intelligam, intelligo UT credam) passando pelo momento tomasiano da relação do “ET ET” para chegar na modernidade ao “AUT AUT”. No momento pós-moderno existe o desafio de uma teologia que se dissolve na razão e vice-versa. O A. termina o livro com belíssimo capítulo em que discorre sobre a relevância da Teologia na região sul da Itália desde os tempos da Magna Grécia até nosso século, dando naturalmente o destaque merecido às figuras de Joaquim de Fiore, Tomás de Aquino, J. B. Vico, Santo Afonso de Liguori, Pietro Piovani, etc. É um livro extremamente sugestivo, claro, síntético, provocante, escrito em estilo agradável, bem cultivado. É mais que uma simples introdução para iniciantes. A fim de apreciá-lo, supõe-se de seu leitor um trato mais diuturno com a teologia. Lê-se com gosto e sabor. J. B. Libanio |
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